O cacto e o perfume.
Encontro um cacto em uma gaveta
Calmo, pronto, em estado de dragão.
Resolvi deixar a gaveta aberta
Logo floriram nele uns pontos vermelhos
Enquanto o furacão passa na TV
minha vodca se dissolvia junto às pedras de gelo
e eu jogo dados
buscando compor um símile.
A chuva não passaria
entanto eu e o cacto observássemos o céu sempre azul.
Os vidros da sala criariam estrias alvas
enquanto as músicas se escondessem em aleatórios envelopes.
Melhor morrer de vodca
que de perfume, me sorri o cacto – voz de acaso, de espinho.
Estaciona-se hoje pela hora da morte, informa a TV,
o preço de uma vaga é superior a um apartamento de luxo
e em minha casa forma-se uma névoa grossa,
que corto entre um e-mail e outro, com uma faca Ginsu.
Meus ouvidos captam trovões
o cacto me diz serem os pés de uma mulher no teto
nos intervalos entre seus cantos flamencos.
Descascava-se a parede, os dados rolavam, os ralos rugiam, as janelas brigavam
detrás de geladeira meus sapatos se incendiavam
e as flores vermelhas do cacto criariam mamilos frios tentáculos nas paredes.
As pessoas estão doentes de pressa
já eu vago na mesma gaveta
torcendo ansioso que meu mestre
nunca me encerre de novo lá dentro.
Escrito por Zed Stein às 09h20
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